sábado, 18 de novembro de 2017

Por que não tem a nova escola das Lajes uma piscina?

Mais um excelente artigo do Dr. Manuel Tomás na edição desta semana do Jornal Ilha Maior e ao que parece (desta vez) "a culpa não é do Faial"  :)

Porque é no Pico. Senão... vejamos. Por que não tem a nova escola das Lajes do Pico uma piscina? A culpa não é do Faial! O Faial tem uma, e muito bem, na sua escola que, por acaso, até foi construída antes desta do Pico. A culpa é de quem decide que no Pico não há qualquer interesse em haver uma piscina numa escola com condições para a receber. Algumas escolas (S. Miguel, Terceira e Faial) têm piscina, coisa absolutamente natural, porque nenhuma delas fica no Pico. É a realidade. O que me custa a aceitar é o facto de a nova escola das Lajes do Pico, feita depois de algumas que têm o privilégio de ter uma piscina, não tenha merecido tal honra. Sim, deve ter sido por alguma razão, pois umas tiveram e as do Pico não. Bem sei o que andei a fazer para que na da Madalena houvesse uma piscina. Cheguei a ter o projecto feito e quase, quase a ser aprovado, mas, no último momento, lá se afundou a ideia e a piscina  porque, com toda a certeza, não havia mérito para a ter. Mas se a da Madalena falhou, não havia razão para a das Lajes também falhar. É no Pico! Só pode ter sido por isso!

Por que razão, depois de muito tempo passar, de muita água correr debaixo dos nossos pés, depois de alguns candidatos desaparecerem, o estaleiro naval da Madalena continua em estado acelerado de inutilidade, até à inutilidade final e total? Há (ou houve) um barco do Pico a precisar de manutenção, mas o enorme Estaleiro Naval não o pode (ou pôde) varar, porque uma peça daquela engrenagem não funciona (ou não funcionou) e ele terá (tem ou teve) de esperar que o Cruzeiro desça (ou descesse) para poder subir. A culpa não é do Faial! A culpa é de quem é incapaz de resolver o gravíssimo problema que aquele estaleiro representa. A sua degradação deve interessar a alguém? Se não é verdade, então por que razão não se resolve o problema? Disseram-me que, em tempos, houve um óptimo candidato, com projecto, mas não houve vontade de entender o alcance, nem dinheiro para o concretizar. A culpa não é do Faial! A culpa é de quem não tem capacidade de ver mais além.
Parece, todavia, ter havido uma culpa de alguns faialenses que se recusaram a vir para o Pico, impedindo que um voo de Lisboa-Horta (07.XI.17), desviado para a Terceira, acabasse no Pico! Dizem-me que eram 20! Se isto é mesmo verdade, e há muitas testemunhas do caso, ou a SATA, através do seu presidente, vem explicar a coisa, ou a vergonha é tão grande e a palhaçada tão anormal que ficaram tão cheios de azia que não sabem o que fazer! E o Governo, patrão da SATA, também não diz nada? Se ninguém, da SATA ou do Governo explicar o caso do dito voo, acho que ao Pico voltaram os tempos das velhas capadelas... Já escrevi que o tecto de um pavilhão numa ilha grande terá custado mais que todo o pavilhão da Escola da Madalena. Já escrevi que as portas e o ar condicionado do terminal marítimo da Horta terão custado mais que todo o terminal da Madalena. Já escrevi que até a colocação das pedras nos portos da Terceira e do Faial foram mais bem colocadas que as dos portos do Pico. Já escrevi que as instalações sanitárias dos aeroportos de S. Miguel, da Terceira e do Faial, feitas antes das do aeroporto do Pico, são muito melhores que as do Pico, sendo isto quase um ridículo pormenor no meio de obras tão grandes, mas é verdade. Ao menos que mictar e defecar no Pico fosse em iguais circunstâncias, mas não é! E quando aqui se chega, o melhor é abandonar esta constante má língua, por que as vozes de burro não chegam ao céu e para inferno já basta aquele que nos cabe em cada dia da nossa vida, para ainda nos chatearmos com coisas destas que a evidência torna ridículas por incompreendidas na comparação com o que se faz em outros sítios. Sobretudo quando as coisas picarotas aconteceram depois de ter havido as dos outros. Apenas coincidências? Mas que tristes coincidências! São os tratamentos diferenciados. Mais um: em discussão na Comissão de Economia, estiveram as petições para ampliação das pistas dos aeroportos do Faial e do Pico. A RDP-Antena1 (dita) Açores abriu o noticiário com o caso do Faial; relativamente ao Pico, colocou a notícia em 4.º lugar. NA RTP – (dita) Açores, a notícia sobre o Faial saiu no próprio dia da audição; no caso do Pico, saiu no dia seguinte. Nada de especial. Apenas formas diferenciadas de tratamento. Por cá, ainda há gente com muita saudade da saca de roupa da América. Eram restos, mas davam muito jeito. Agora diz-se, “bem bom que já foi pior”! Mas tanta diferença qualitativa em tanta coisa, se não foi de propósito, e quero acreditar que o não tenha sido, bem parece. E muitas vezes, o que parece acaba por ser. À mulher de César tanto valia ser como parecer e César exigia que, mesmo que não fosse que parecesse, nestes casos, e haverá mais, nem são coisas com a mesma qualidade das de outros sítios, nem sequer parecem. Se acham exageradas as minhas palavras, convido-vos a uma visita guiada! Nunca gostei dos bairristas que têm duas faces, consoante o jeito das coisas: se alguém elogia, eles arengam que não é assim, que nada têm; mas se criticam as faltas, logo se armam de elogios à qualidade das suas coisas que parecem ser de outro mundo. São os cramazões de sempre e de tudo. Se têm, cramam; se não têm também cramam. Somos uma ilha e há coisas que não se compadecem com divisões, para cada um melhor reinar e, tirando o aeroporto, em nada mais se vê o sentido de ilha, nem em portos, nem em hospitais, nem em escolas, nem em jornais, nem em rádios, nem em outras realizações e nem sequer sei se o Bom Jesus (o de São Mateus) faz o pleno! E talvez, tudo isto ajude a entender por que razão a nova escola das Lajes do Pico não tem piscina! Ou talvez sim! E se a culpa não é solteira, também não é sempre dos outros!

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